O processo
produtivo das fantasias das escolas de samba do Rio
de Janeiro é tema de estudo em andamento do Sebrae
no Rio, que tem como objetivo entender a criativa
cadeia produtiva do Carnaval.
Vanessa Brito
Barracões reúnem diferentes profissionais
que transferem o samba-enredo da imaginação
para o papel e fantasias.
O tema 'Economia do Carnaval' está sendo estudado
e vivenciado por consultores do Sebrae no Estado do
Rio de Janeiro. "Trata-se de um universo completamente
diferente", resume Heliana Marinho, gerente de
Desenvolvimento da Economia Criativa do Sebrae no
Estado, responsável pelo estudo. Tudo está
sendo registrado em foto e vídeo. "É
uma imersão que o Sebrae faz para entender
esse processo de produção", explica
a gerente. As escolas de samba Cubango (de Niterói)
e Unidos da Rocinha (Rio de Janeiro), integrantes
do grupo de acesso do Carnaval carioca, são
as escolhidas para a imersão do Sebrae.
Os sonhos desfilados na avenida começam
nos desenhos, em aquarela e bicos de pena, feitos
pelos carnavalescos das escolas. Eles transferem o
samba-enredo da imaginação para o papel.
Depois, os signos são decodificados pela comissão
responsável pela confecção das
fantasias, acessórios, adereços e cenários.
Seus integrantes definem um processo produtivo plural
e diversificado. "É uma linha de montagem
atípica e casuística", resume Heliana
Marinho.
O ritmo dos barracões transcorre
frenético, durante, em média, quatro
meses. Não há planejamento preciso em
relação à entrega de materiais.
As etapas da produção são executadas
por grupos diferentes de trabalhadores e colaboradores,
entre homens, mulheres, jovens e adolescentes. Em
algumas escolas de samba, patrocinadores institucionais
bancam diárias, em torno de R$ 10, mais a alimentação
de cada operário. O turno da 'fábrica
de sonhos' geralmente é das 8h às 22h.
O Sebrae no Rio de Janeiro está
estudando e vivenciando o processo produtivo do Carnaval
carioca para, posteriormente, oferecer consultorias
e capacitações voltadas especificamente
para essa cadeia produtiva. "Estamos aprendendo
com eles", diz Heliana. Não adiantaria
levar consultorias de gestão, no formato que
a Instituição oferece ao mercado, para
as 'fábricas de sonhos', explica a gerente.
O estudo sobre a economia do Carnaval
ainda está em andamento, mas já se pode
destacar algumas características marcantes
do processo de produção das alegorias
carnavalescas. O desperdício é muito
grande, acima de 50% dos materiais. As pessoas envolvidas
só têm ocupação durante
o período que antecede o Carnaval. Depois do
desfile na avenida, retornam ao desemprego ou desocupação.
"Almejamos promover postos de
trabalho mais permanentes nas comunidades", afirma
Heliana. Tanto o processo produtivo quanto os produtos
têm qualidade, segundo ela.
O reaproveitamento dos materiais e fantasias também
está na mira do estudo do Sebrae no Rio de
Janeiro. A redução do desperdício
será objetivo das ações que a
Instituição poderá oferecer às
escolas de samba, depois de concluído o estudo.
Novos produtos, com materiais reciclados, poderiam
gerar renda e postos de trabalho nas comunidades.
Uma pesquisa sobre a economia do
Carnaval está sendo realizada paralelamente
à imersão do Sebrae. Ainda este ano,
as informações e conclusões das
duas iniciativas deverão ficar prontas. Tanto
a Cubango como a Unidos da Rocinha pertencem ao grupo
de acesso, e todos os integrantes objetivam subir
para o grupo especial, composto pelas grandes agremiações
carnavalescas cariocas. "No grupo de acesso,
a concorrência é enorme e tem de ter
muita criatividade", esclarece Heliana. Elas
estão sendo excelentes laboratórios
para os consultores do Sebrae no Rio de Janeiro.
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